quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os comunistas do PCdoB


O giro da roda da história é questão prioritária também nas plenárias do PCdoB - Partido Comunista do Brasil. Renato Rabelo, seu presidente nacional, está convicto de que a queda do Muro de Berlim, em 1989, não representou o fim do marxismo-leninismo. Em entrevista a Veja, no ano de 2010, afirmou: "Quando a União Soviética desabou, houve quem achasse que o socialismo tinha morrido. Que nada! Só alguém sem visão histórica nenhuma pode pensar assim". Para Rabelo, a aventura socialista mal começou: "O capitalismo levou 300 anos para superar o feudalismo. O marxismo tem pouco mais de 100 anos de existência. Ou seja, podemos precisar de mais 200 anos para tornar o mundo comunista".

O mais engraçado é que apesar desse discurso, o PCdoB tem buscado esconder cada vez mais a foice e o martelo. Nas eleições municipais de 2008, a candidata a prefeita do Rio, Jandira Feghali, sequer falou em socialismo durante a campanha eleitoral, e depois foi secretária de cultura na administração Eduardo Paes, do PMDB. E pior, desde quando o vereador paulistano Netinho de Paula, pode ser considerado um autêntico revolucionário marxista? Ele inclusive chegou a dizer que "o partido não pretende mais estabelecer um 'comunismo ao estilo soviético', mas sim um 'comunismo ao estilo do presidente Lula'". Depois de uma besteira dessas, não consigo mais levar esse partido a sério.

Se os comunistas do PCB estão seguindo uma política sectária, os stalinistas "enrustidos" do PCdoB são o oposto. Fazem aliança sem qualquer sentido ideológico, tanto que fazem alianças com o PSD, PR, PTB, e pior, até mesmo com PSDB e DEM, que são opositores do governo Dilma, que o PCdoB apoia com entusiasmo.

Se não bastasse isso, apesar do sucesso inegável do "socialismo de mercado" chinês, é cada vez mais claro que a China está caminhando não em direção a um socialismo renovado, mas sim ao capitalismo de Estado, pois é cada vez maior a presença do conceito capitalista de enriquecimento e acumulação da riqueza na sociedade chinesa. E o PCdoB defende a China como exemplo a ser seguido.

Além de continuar defendendo Stalin, afirmando que esse tirano assassino cometeu apenas "erros", o PCdoB defende o capitalismo de estado chinês, como se fosse um exemplo de "socialismo renovado". Mas também, o que esperar de um partido que defendia a ditadura stalinista de Enver Hoxha, na Albânia, como "farol do socialismo"???

Com a queda da ditadura albanesa e o fim da URSS, em 1991, o PCdoB realizou o seu 8º Congresso Nacional em 1992, onde sem assumir posição anti-stalinista, deixou de se declarar stalinista.

"Não somos stalinistas. Tampouco, somos anti-stalinistas. Avaliamos a figura de Stalin no plano histórico. Ele esteve, juntamente com o Partido Bolchevique, à frente das grandes batalhas pela transformação radical do velho mundo capitalista. Nesses embates, a par dos méritos incontestáveis, mostrou falhas e deficiências, cometeu erros que prejudicaram a causa do proletariado." (João Amazonas; Informe Político do 8º Congresso do PCdoB)


Em 1995, o PCdoB aprovou um novo programa, onde adotou o chamado socialismo de mercado, fazendo da China o modelo para sua nova concepção de socialismo. Desde então, assumiu uma postura pragmatica. Tornou-se o principal aliado do PT, chegando inclusive a defender Renan Calheiros e José Sarney, afirmando que os ataques contra eles partiam da "direita golpista" para atingir o presidente Lula. E agora no governo Dilma, se viu envolvido em corrupção na pasta dos esportes.

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